Wednesday, April 15, 2009

Day 4 - A harder journey

[3ªf]

Levantei-me às 6h30 da manhã. A primeira das 5 reuniões do dia era às 9h e a alguma distância (or at least so we though, porque na verdade cheguei lá em menos de 30 minutos, dada a mestria em corta-matos). Marcámos o SafeCab (contratado para o dia inteiro, não só na lógica de evitar o meu estupro ou homicídio selvagem, como pela conveniência de correr de empresa em empresa a horas, e sem gastar este mundo e o outro em telefone!) para as 7h30, de forma a podermos ainda passar no escritório a trazer a agenda (que tanto trabalho deu a preparar e que não imprimia nem por nada! Valeu-me o vizinho da porta em frente no escritório que resistiu até altas horas para fazer sair o maldito papel).

O dia teria passado bem, não fosse eu ter-me esquecido de almoçar. Ou melhor (claro que não propriamente me esqueci, nunca me esqueço), não fosse uma das reuniões (ainda por cima sem interesse particular) ter como anfitrião um daqueles papagaios vagarosos de sotaque francês que falam, fala, falam.. Arghh.. Acabei por não comer mais do que uma barra de cereais que, previdente, tinha comprado essa manhã. Resultado, já na última reunião, quando comecei a ver coisas estranhas a flutuar no ar, achei melhor pedir à pessoa com quem fui reunir para me arranjar um pacotinho de açúcar. Só havia Canderel, portanto trouxe‑me um chocolate (almocei um Cadbury’s, nada mau).

Ao contrário do esperado, esta reunião foi numa zona da cidade em que o único branco avistável – neste caso, no carro – era eu, e onde nas ruas cheias de gente tudo parecia pobre, com igrejas de tudo e mais um par de botas (incluindo “Universal Church of the Kingdom of God” – ipsis verbis) alinhadas entre os prédios, zonas de treino para box (como nos filmes.. – remember “O Campeão”? - mas no meio da rua), com criancinhas aparentemente já bem iniciadas e salas a apresentar os ditos espectáculos, entre muitas outras curiosidades..

Quem não teve uma má jornada foi o Daveton, o meu simpático motorista do SafeCab, 39 anos, pai de 3 filhos (16, 14 e 6) nascido e criado no Soheto. Às 7h15 tive pena dele, tantas esperas teria, desgraçado. Rapidamente percebi que para ele era um sonho. Ou dormia, ou ia às compras, ou comia, ou via televisão (sim, tinha televisão no táxi), ou dormia outra vez, ou via televisão e comia. Enfim, um dia “horrível”. Foi muito interessante a interacção com ele, afinal de contas, foram 12h de boleias. Explicou-me o que eram aqueles senhores todos à beira da estrada de papel em punho: são profissionais – canalizadores, electricistas, professores, etc. ‑ e, como grande parte, estão desempregados. Assim sendo, passam ali os dias inteiros debaixo do sol abrasador, à espera que um cliente venha ter com eles, os ponha no carro, leve a fazer o serviço, e devolva no mesmo sítio onde encontrou. That’s exactely  how it works.

Ainda voltei ao escritório, devido a um special request para tratar. Salvou-me finalmente o sushi, que acaba sempre por me animar.

Até amanhã (dia de Porto..)!
  

Posted by lady in green at 07:50:49
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