Day 7 – Beautiful Cape Town
[Sábado]
Último dia. Tempo feio, até choveu. A ideia era acordar cedinho para tomar o pequeno almoço no Water front, depois os meus amigos seguiam para o voo cedo e eu ficava por ali a passear, até ser a minha hora. Tudo como previsto, à parte do cedo. (E da chuva, já agora.) Chegámos lá pelas 10h30, debaixo de uma neblina tal que nem se via a montanha.
Water front é na prática uma marina, cheia de lojas, restaurantes e animação de rua. Imaginemos um Covent Garden, mais espaçoso, com os barcos e uma vista maravilhosa sobre a baía para a montanha. (Sim, que a determinada altura levantaram as nuvens e confirmei que estava lá tudo.).
Como estava à vontade em tempo, pude andar bastante, ver muitas lojas, comprar os últimos requerdos, andar mais, comprar, andar, passear.. África do Sul é a Europa da África, quase tudo é importado. Há de tudo. Mais marcas até do que em Lisboa. Assim sendo, o centro comercial acabava por não ter tanto para ver (apesar de ser grandinho). Foquei, evidentemente, o meu tempo nas lojas dos artigos africanos, sempre a comparar preços (todos altíssimos, se pensarmos no custo ridículo de produção das peças). Seja como for, para nós tudo é barato e, realmente, aqui fazem-se coisas lindas. Tudo muito colorido, frequentemente inspirado nos Big Five (os cinco bichinhos que, se avistados todos, ditam o sucesso do safari: leão, elefante, rinoceronte.. hummm e mais dois.. leopardo, ou chita.. e.. búfalo, será? (ooppsss!.. need to check !).
Para almoçar, escolhi o restaurante de comida típica sul africana. A entrada era um paté fantástico. O prato escolhido foi o Bobotie, com arroz amarelo de passas e dois chutneys de sabores diferentes. Não vos digo nem vos conto, amei! E como tal, comi quase tudo. Já que era um almoço especial, não hesitei em escolher a sobremesa que mais me apeteceu: Death by chocolate. Um perfeito atentado. Acho que tinha ali calorias para 3 dias inteiros. Um prato gigante sobre o comprido, com 2 bombons do lado esquerdo, ao meio um caldeirão feito de chocolate, com gelado dentro e a tampinha de chocolate ao lado, à direita uma fatia de brownie de chocolate, tudo regado a chocolate quente, com um moranguinho a enfeitar. Tãoooooo bommmmmm. Comi tudinho, nem a tampinha sobrou. [Escusado será dizer que, depois de tamanha alarvidade, a minha regra das 2h30 – 3h de intervalo entre as refeições foi inevitavelmente quebrada. Estou sem comer há 7h e nem o cheiro do jantarzinho do avião me motivou – eu sei que é suposto não motivar mas, como expliquei há dias, nesse aspecto sou uma vendida, just love to eat anyway!].
Os empregados do restaurante, todos simpatiquíssimos (como sempre aliás, não fosse serem pagos quase só à base da gorjeta) não me largavam. O Justice, ao descobrir que eu era de Portugal, esteve meia hora a debitar tudo o que sabia de Lisboa (pastel de nata, obrigado, Cristiano,..) e outra meia a choramingar por não me ter conhecido uns dias antes para me mostrar a cidade. Jurou que me encontraria no Facebook (good luck!) e que assim que pudesse ir novamente a Lisboa (fez uma espécie de interail há uns anos atrás, daí conhecer a Europa, coisa rara por aqui, ao nível dos pretinhos locais) iria plantar-se à porta do estádio do Sporting em dia de jogo, na esperança de me encontrar (good luck again!).
À hora prevista, estava o amigo Robin (do Toyota branco, com não sei o quê escrito de lado – Damm..! Esqueci-me de ler outra vez!) à minha espera, para passar em Century City a buscar as malas e seguir directo comigo para o aeroporto. (Difícil foi encher as malas já a abarrotar do vinho, com mais umas coisitas ou outras que em 5h horas acabei por comprar.. E escusado será dizer que consegui, afinal sou mulher, são muitos anos de experiência a transformar o inexistente em utilizável, foi na boa!).
Voo correu lindamente, sempre a horas nesta terra (impressionante!), a única curiosidade, que jamais me tinha acontecido, foi pararem-me no raioX, por deter arma branca perigosa. O meu mini-canivete suísso VERDE, que anda sempre comigo! Não imaginam a quantidade de coisas que resolve (por exemplo, em Joanesburgo, comprei um adaptador de plástico para as tomadas que não servia porque tinha 2 ‘pinos’ a mais. Saquei do canivete e, uma verdadeira McGuiver, resolvi logo o problema! Fora o facto do utilíssimo utensílio ter uma pinça, um palito, uma mini-tesoura, uma chave de fendas, etc..). Expliquei-lhes por a + b que era inofensivo, andava sempre comigo há anos, já tinha viajado mil vezes.. Arghh! O passageiro a seguir a mim, já só gozava.. “uhhh..”, dizia ele,“Dangerous girl!”. Mas o pretinho queria mesmo fazer-se de difícil, e eu depressa vi que pela via (normal) do diálogo de argumento sustentado não ia lá.. Ora, fiz o meu ar mais simpático de leoa super sexy e pisquei-lhe o olho acrescentando “Come on.. you don’t really think I’d be able to kill anyone with a tiny thing like that!”. Pisquei o olho again. Sorri. Sorriso ainda maior. … … Sorriso de volta, deixou-me passar! J [Nesta viagem tenho tido muitos problemas com a justiça, uff!!]
Não chegavam os problemas com a justiça, tinha de arranjar também problema com os outros senhores. Saí do aeroporto, sempre a medo, andando bem pertinho do edifício, à procura do shuttle para me levar ao hotel. (Isto enquanto dispensava todo o “taxista” e mais algum – em carros de todas as cores – que se ofereciam para me levar). Até que perguntei aos seguranças que me indicaram a direccção. Fui andando, andando, sempre pertinho do edifício. Sempre dispensando boleias. E sempre sem ver nenhum shuttle, nem nada parecido. De repente, um dos pretinhos, pergunta “Taxi or shuttle?”. Eu respondi e ele encaminhou-me que seguisse outro pretinho (vestido à civil) que ao fim do segundo passo, já me estava a perguntar de onde vinha, se era italiana, bla bla, e pretendia seguir comigo por um corredor escuro, jurando-me que ali estaria o meu shuttle. Como podem imaginar, recusei-me. Ficou todo ofendido “Don’t you trust people?! Don’t you trust people!?”, gritou-me. Eu ainda lhe tentei explicar que em Joanesburgo, de facto, não confiava particularmente e que ainda por cima ele não tinha nenhum tipo de indicação na camisola. (Vá lá que era do género birrento, em segundos amuou e foi-se embora).
Decidi ligar para o hotel a perguntar onde era suposto estar o shuttle. Enquanto ninguém atendia estava ali outro pretinho, com um colete fluorescente (menos mal) que me explicou que o shuttle era mesmo por aquele corredor. E eu insistia em ligar. E ele queria-me levar a mala. E eu não deixava. E continuava o número do hotel a chamar. E ele insistia, olhando-me como se eu não passasse de uma miúda branca mimada e tola ou louca, que o shuttle estava lá ao fundo, que estava parado à espera, e que eu ainda o ia perder.. Irritada, de telefone em punho numa mão, mala na outra (ele ia tentando levar e eu dispensava), lá fui andando a passo rápido atrás dele, porque realmente me parecia ver uma carrinha branca ao fundo. Depois de pela 5ª vez ter tido de lhe arrancar a mala da mão à força, lá chegámos ao shuttle que, efectivamente, tinha o nome do meu hotel escarrapachado (num larguinho onde havia um monte deles). Assim que parámos lá, olhou-me antipático a pedir gorjeta. Eu pus a mão ao bolso a ver o que tinha, escolhi a maior moeda - 5 Rands (uns 0,40€) – e dei-lha dizendo “here’s a good one”. Olhou‑me enfurecido e disse: “A good one? Do you think this is a good one?”. Só faltava espumar da boca ou sair-lhe fogo pelos olhos. Eu, também enfurecida, despejei-lhe as outras micro moedas nas mãos, perguntei “Happy now?”, virei as costas e entrei na van (perfeitamente convencida de que ele ia voltar a qualquer momento para me dar um tiro). Não voltou. J
Amanhã passo o dia fechada num avião, 11h se for como previsto. Assim sendo e sendo assim, não haverá muito mais para contar..
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Foi espectacular a incursão Africana, apesar de sem safaris e grande parte do tempo a trabalhar. Fui muitíssimo bem recebida e é, sem dúvida, um destino para voltar! Reitero os agradecimentos ao NC e Miss E pela fantástica hospitalidade. Afinal, ainda há portistas (mesmo os mais fanáticos.. arghhh..) que nos sabem receber. Leoa adorou e agradece muito, muitoooo! J
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Enquanto publicava o post passei pela desolação da potencial derrota do Sporting, seguida da esperança quando chegou o empate.. e do alívio porque.. GANHÁMOS!!! Vamos lá ver como se safam os outros dois amanhã. BOA, SPORTING!
Então, e essas fotos???